Edições Literarias Sobre a Umbanda

A História da Umbanda , por Manoel Lopes

A História da Umbanda , por Manoel Lopes mLopes

Todos os fatos tratados neste livro encontram-se documentados e vários são os estudiosos que já trataram deste tema. Nossa contribuição é somente no sentido de divulgar mais esses fatos históricos , que infelizmente nem todos os pesquisadores ou praticantes da Umbanda conhecem; também não sabemos o motivo deste quase total desconhecimento , por parte dos praticantes da Umbanda , do nascimento do movimento Umbandista. Achamos muito importante deixar registrado ,pois nosso País tem memória curta , e não devemos deixar cair no esquecimento todo o esforço deste homem , amparado pelo mundo espiritual , que foi o responsável pelo surgimento da Umbanda , nosso respeitável irmão de fé Zélio Fernandino de Moraes. Vale a pena ressaltar que não pretendemos esgotar o assunto em pauta , mas sim , humildemente fazermos uma pequena contribuição a todos aqueles que procuram novas luzes para entender este mundo maravilhoso da Umbanda. É muito comum nos meios "Umbandistas" as pessoas dizerem que a Umbanda é uma A Religião Afro-Brasileira e que possui suas origens na África. Embora muitos não acreditem e não aceitem, a Umbanda é uma religião cristã e genuinamente brasileira. Devido a super-valorização, até por parte de muitos umbandistas, da cultura negroafricana, do culto aos Orixás das nações de Candomblé, criou-se uma ofuscação das origens da Umbanda. Muitos desconhecem totalmente sua história e se esquecem ou fazem de conta que se esqueceram que a Umbanda possui , conceitos fundamentais da Doutrina Espírita , da Religião Católica e muitos elementos da cultura indígena brasileira . Os povos tupis tinham grande terror às almas dos falecidos e acreditavam que elas vinham em forma de animais - lagartixa , sapo , pássaro - vagando principalmente durante a noite. "Multidão de gênios , numes domésticos , espíritos - tudo isso era como que o fundo de superstição que a raça havia acumulado nas suas longas vicissitudes"." Perseguidos de terrores , agouros e preocupações cabalísticas , supersticiosos como verdadeiras crianças , sentem espíritos por toda parte , nos ares , nas águas , no alto das montanhas , no fundo das florestas. Uns espíritos lhes trazem avisos bons e boas notícias; outros os torturam e flagelam , e os põem num como delírio de possessos. Uns vêem nas aragens , outros no zumbido dos insetos , ou no canto dos pássaros, ou nas colorações do poente." Rocha Pombo, História do Brasil (1935). Para defender-se num mundo tão repleto de espíritos , tinham eles como conselheiros e orientadores os Pajés. Curavam doenças , afastavam o Jurupari e os maus espíritos. Esses pajés , caracterizavam-se por traços peculiares que os distinguiam dos leigos. Consta que eram possuidores de temperamento nervoso e altamente excitável , com muita sensibilidade mediúnica.Ao se comunicarem com os espíritos que controlavam , entravam em transe. Tais transes eram obtidos com o auxílio do uso do tabaco e pela dança e canto ao ritmo do matraquear de uma cabaça. Os indígenas acreditavam que tôda doença tinha uma origem mágica ou sobrenatural ; resultava de um castigo impôsto por um espírito das selvas , alma do outro mundo ou magia negra dos feiticeiros. Os pajés curavam tais doenças por meio de massagem , soprando fumaça de tabaco sobre o corpo do doente. Assim encontramos na vida religiosa do nosso ameríndio , ainda não influênciado pelo europeu ou pelo africano , os seguintes elementos: 1) Crença num ser supremo .O ameríndio não era ateu, admitia um princípio superior: TUPAN . 2) Crença em divindades inferiores , protetores dos animais , dos rios , dos campos , das matas . 3)Crença em espíritos inferiores maus e que se comprazem em fazer o mal ao homem; 4) Crença na atuação de numerosos espíritos influindo sobre o homem , inclusive das almas dos falecidos , muitas vêzes em formas animais; 5) A figura do sacerdote , o pajé; 6) O Transe provocado pelo tabaco , pela dança , pelo canto e pelo ritmo do maracá.  A prática da adivinhação , mesmo em estado de transe. Na Umbanda existem práticas milenares , suas origens se perdem no tempo. Não é a intenção deste estudo entrar nestas questões , pois entraremos numa questão delicada. Não trabalhamos com hipóteses ,suposições ou lendas ; somente colocamos no papel o que nos foi possível documentar. Diferentemente do Culto aos Orixás , que procura manter suas tradições exatamente como eram em sua origem na África ; a Umbanda segue um caminho exatamente oposto ,ou seja, a Umbanda evolui a cada dia através de estudos e conceitos que aos poucos vão sendo esclarecidos. Umbanda é sinônimo de Liberdade! ONDE E COMO COMEÇOU No final de 1908 ,um jovem rapaz com 17 anos de idade começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família , conhecida e tradicional na cidade de Neves , estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos. Esses "ataques" do rapaz , eram caracterizados por posturas de um velho , falando coisas sem sentido e desconexas ,como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da natureza. Após examiná-lo durante vários dias , o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre , pois o médico ( que era tio do paciente ), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoninhado. Após o exorcismo , realizado por um sacerdote católico, não se conseguiu o resultado esperado ,pois os ataques continuaram. Passado algum tempo , o rapaz que se chamava Zélio Fernandino de Moraes, sentiu-se completamente curado. Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niteroi. Zélio foi convidado a participar da sessão e tomou um lugar à mesa. Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade , Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor , que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Ao mesmo tempo aconteciam varias manifestações de caboclos e pretos-velhos. O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza , citando o " seu atraso espiritual " e convidando-os a se retirarem. Após esse incidente , novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: "porque repeliam a presença dos citados espíritos , se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Seria por causa de suas origens sociais e da cor ?" Novamente uma grande confusão , todos querendo se explicar ,debaixo de acalorados debates doutrinários. Nisso ,um vidente pediu que a entidade espiritual se identificasse. Ainda tomado pela força , o médium Zélio respondeu : "Se querem um nome , que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas , porque para mim , não haverá caminhos fechados." O vidente interpelou a Entidade dizendo que ele se identificava como um caboclo mas que via nele restos de trajes sacerdotais. O espirito respondeu então: "O que você vê em mim ,são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida . Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa , no ano de 1761. Mas em minha última existência física , Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro." Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral: Fixar as bases de um Culto , no qual todos os espíritos de índios e preto-velhos poderiam executar as determinações do Plano Espiritual , e que no dia seguinte ( 16 de Novembro de 1908) desceria na residência do médium ,às 20 horas , e fundaria um Templo onde haveria igualdade para todos , encarnados e desencarnados. Para finalizar o caboclo completou: "Deus, em sua infinita Bondade , estabeleceu na morte ,o grande nivelador universal , rico ou pobre , poderoso ou humilde , todos se tornariam iguais na morte , mas vocês , homens preconceituosos , não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço , se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra , também trazem importantes mensagens do além?" UM POUCO DE HISTÓRIA Dia 16 de Novembro de 1908 às 20:00 horas ,na cidade de Neves estado do Rio de Janeiro foi o dia do nascimento da Umbanda. Mas , como estava o Brasil nesta ocasião? Vamos fazer uma ligeira retrospectiva na história do Brasil ,e relembrar como foi a Abolição da escravidão no Brasil ,e assim ,tentar sentir como pensavam e agiam as pessoas daquela época. Quais os preconceitos existentes naquele início de século.Por mais de três séculos, o negro escravizado impulsionou a economia e serviu de base à pirâmide social brasileira ; durante esse período, reações individuais e coletivas - os levantes - representaram a outra face das relações entre senhores e escravos no Brasil. Humilhação ou revolta - a dominação teve limites preciosos durante praticamente todo o período colonial. Só no final do século XVIII, quando as idéias dos liberais europeus passaram a ser difundidas entre nós, é que se começou efetivamente a considerar a possibilidade da extinção do cativeiro. Enraizado no liberalismo europeu, que pregava a igualdade de direitos entre os os homens, o movimento pela independência no Brasil deveria necessariamente incluir em seu programa a abolição da escravatura. Por que isso não aconteceu ? As teorias liberais serviam como uma luva à realidade das classes em ascensão da Europa, onde, com o capitalismo industrial em plena expansão, já não mais interessava manter um sistema colonial baseado no trabalho escravo. Mais que uma postura humanitária, o que motiva a burguesia industrial da Europa eram suas aspirações de expansão do mercado consumidor. No Brasil essa atitude liberal "emprestada" traduziu-se por uma oposição dos produtores nacionais, ricos proprietários de terras, ao monopólio colonial. As idéias de liberdade e igualdade foram travestidas para servir aos interesses das elites agrárias, a quem, evidentemente, muito interessava a manutenção do trabalho escravo. Vozes isoladas Durante o Primeiro Reinado algumas vozes isoladas se fizeram ouvir em favor da abolição. Hipólito José da Costa, redator do Correio Braziliense , pregava a extinção gradual da escravatura, sugerindo a substituição da mão-de-obra escrava por imigrantes assalariados . Personalidades ligadas ao Governo, como José Bonifácio e o padre Feijó , argumentavam que a manutenção do trabalho escravo era inconveniente ao pleno desenvolvimento da economia brasileira. Todos eles, porém, reconheciam que a abolição não poderia ser imediata, sob pena de levar ao colapso uma economia baseada na monocultura de exportação, na dependência exclusiva do braço escravo. A opinião dos escravistas. A partir do momento em que a escravidão começou a ser contestada também por homens brancos e livres, os proprietários de escravos se viram na contingência de responder com argumentos aos ataques dos abolicionistas. Afirmavam, por exemplo, que os negros eram "infiéis" (não cristãos); a escravidão não seria mais do que um instrumento para a salvação de suas almas. Outro "argumento", semelhante ao anterior, dizia que os senhores brancos apenas cumpriam uma missão civilizadora , tirando os negros de seu ambiente "selvagem" e transferindo-os para um ambiente onde, mesmo escravizados, eles tinham melhores condições de vida. Na segunda metade do século XIX, tornou-se comum uma justificativa que se pretendia "científica". Tomando como base algumas teorias raciais (e racistas) difundidas na Europa, os senhores afirmavam que os negros tinham o crânio menor que o dos brancos, o que provava sua inferioridade "natural". Parecia-lhes correto, assim, que os "inferiores" servissem a seus "superiores" brancos. Com o passar do tempo, a argumentação mais freqüente para justificar a manutenção do cativeiro se reportava a um aspecto bem mais material. Afirmando que a abolição da escravatura representaria a ruína da lavoura, os escravistas tocavam diretamente nos interesses da classe dominante, principal beneficiária em termos econômicos. Foi essa a tática mais eficaz dos escravistas. Os interesses da Inglaterra. Com o desenvolvimento do capitalismo industrial na Inglaterra, o sistema colonial - que desempenhou um papel básico no período anterior, de capitalismo mercantil - tornou-se um empecilho para a expansão da economia. Como as colônias possuíam o monopólio do fornecimento de produtos tropicais, a indústria inglesa não podia escolher sua matériaprima onde o preço fosse menor; além disso, como a produção colonial era baseada no trabalho escravo, as possibilidades de expansão do mercado consumidor se viam limitadas. Mais ainda, a manutenção de escravos representava um capital imobilizado, que com o emprego de mão-de-obra assalariada poderia ser aplicado na compra de produtos manufaturados e implementos agrícolas. Sem falar da massa de trabalhadores negros que, livres, representariam um respeitável mercado consumidor potencial. A oposição inglesa ao trabalho escravo e ao sistema colonial estendeu-se aos países econômica e politicamente dependentes da Inglaterra, como Portugal (e o Brasil) no início do século XIX. Assim, em 1810, o regente Dom João assinou um Tratado de Aliança e Amizade com a Coroa britânica em que estabelecia o livre comércio entre o Brasil e a Inglaterra e se comprometia a limitar o tráfico negreiro para o Brasil às colônias portuguesas da África. Em I817 Dom João concedeu o "direito de visita" à Marinha inglesa, permitindo-lhe vistoriar todos os navios portugueses suspeitos de tráfico negreiro. Enfim, quando foi proclamada a independência no Brasil, a Inglaterra condicionou o reconhecimento da nova nação à proibição do tráfico escravo. O atendimento a essa exigência foi sendo postergado até que, em 1831, a Regência Trina Permanente oficializou a proibição. Mas o tráfico continuou à revelia da lei. A Inglaterra não desistiu. Sentindo-se prejudicada por medidas protecionistas tomadas pelo Governo imperial e às vésperas de expirar o prazo que lhe concedia o "direito de visita", promulgou em 1845 o Bill Aberdeen. Essa lei equiparava o tráfico negreiro à pirataria e dava à Marinha britânica o direito de apresar os navios negreiros que encontrasse. O Governo imperial não tinha como resistir sem entrar em um confronto direto. Em 1850, foi apresentada ao Congresso, e aprovada, uma lei que levou o nome de seu autor, o ministro Eusébio de Queirós, e que extinguia definitivamente o tráfico negreiro no Brasil. A campanha abolicionista. É somente após a extinção do tráfico negreiro e, de modo mais acentuado, após a Guerra do Paraguai, que podemos falar em campanha abolicionista como um movimento social organizado, de caráter eminentemente urbano, baseado em setores não comprometidos com a escravidão: profissionais liberais, comerciantes, jornalistas e intelectuais. A atuação desses militantes tornava-se cada vez mais ousada. Além de comícios e dapropaganda escrita, empreendiam incursões noturnas às senzalas, dando fuga aos escravos. Os fugitivos eram abrigados, a seguir, em "quilombos" de novo tipo, organizados por abolicionistas. Ficaram famosos o quilombo Jabaquara , na Baixada Santista , fortaleza inexpugnável dirigida por Quintino Lacerda, que abrigava os fugitivos encaminhados por Luís Gama e Silva Jardim; ou a fazenda de Bernardino de Campos, em Amparo (São Paulo), onde se refugiavam os escravos libertados por Antônio Bento e seus seguidores, os "caifases". As atividades dos abolicionistas eram subvencionadas por diversos clubes e sociedades que promoviam eventos para a arrecadação de fundos e se encarregavam da propaganda dos ideais do movimento. O primeiro deles foi a Sociedade Emancipadora Fraternidade , fundada em 1870 pela Loja Maçônica Amizade. Essas sociedades se multiplicaram pelas principais cidades do Brasil e finalmente, em 1883, foram agrupadas na Confederação Abolicionista , uma estrutura coesa, de âmbito nacional. Paralelamente, nos meios intelectuais , na literatura e na imprensa, os abolicionistas criaram uma "retaguarda ideológica" para a sustentação do movimento. Vários mulatos e negros libertos se destacaram nesse campo, dentre eles Castro Alves, Luís Gama, André Rebouças e José do Patrocínio. Uma das primeiras publicações abolicionistas foi o semanário paulista O Diabo Coxo, criado em 1864. Era ilustrado por Ângelo Agostini e redigido por Luís Gama. Anos depois surgia O Radical Paulistano, onde escreviam regularmente Luís Gama , Joaquim Nabuco , Castro Alves e o estudante Rui Barbosa. A partir de 1880 a imprensa antiescravista se implantava no Rio de Janeiro , com A Gazeta de Notícias , de José do Patrocínio , e A Gazeta da Tarde. Em 1882 , Raul Pompéia e Antônio Bento de Sousa e Castro fundaram em São Paulo o Jornal do Comércio. A esta folha abolicionista veio se juntar A Redenção, também dirigida por Antônio Bento, que na proposta editorial pregava "a libertação imediata, sem prazo". Radicais, moderados, positivistas e "pragmáticos" A profusão de periódicos abolicionistas correspondia à realidade de um movimento que estava longe de ser homogêneo. Várias correntes e opiniões contraditórias coexistiam no movimento. Embora todas tivessem um mesmo objetivo, a abolição da escravatura, divergiam quanto à maneira de conduzir a luta. Os "moderados", cujo melhor exemplo é sem dúvida a figura de Joaquim Nabuco , temiam as agitações sociais e achavam que a luta pela abolição deveria se processar institucionalmente , entre as paredes do Parlamento. Os positivistas, de certa forma, se confundiam aos moderados. Denunciando a irracionalidade que representava a escravidão, encaravam-na como um fator de desorganização econômica e social. Preconizavam a abolição lenta , vinculada a um programa que propiciasse a integração do negro à sociedade. Entretanto , nunca tiveram participação mais ativa no movimento, recusando-se a reforçar, com sua presença, as posições "anti-científicas" das demais correntes abolicionistas. Os principais representantes do positivismo ortodoxo foram Francisco Brandão Jr. e Teixeira Mendes. Os "radicais" consideravam imprescindível a participação popular na luta abolicionista e chegavam a estimular os levantes de escravos. Desse grupo participavam Raul Pompéia , Antônio da Silva Jardim, José do Patrocínio e Luís Gama. É deste último uma frase famosa que caracteriza bem a posição dos radicais: "Ofendido em seu direito, o escravo que mata seu senhor, mata em legítima defesa". E, finalmente, havia um grupo "pragmático" de abolicionistas , para quem a extinção da escravatura era, acima de tudo, um negócio vantajoso. Nesse grupo estavam os cafeicultores do oeste paulista, que, percebendo as vantagens do trabalho assalariado e a inevitabilidade da abolição, preferiam que ela fosse feita gradualmente, à medida que a mão-de-obra escrava fosse sendo substituída pelo trabalho assalariado. Seu principal porta-voz era Campos Sales. Uma abolição gradual. Aos poucos, os partidários da abolição gradual começaram a ganhar terreno. Para isso contribuíram, sem dúvida, as pressões crescentes dos Estados Unidos e da Inglaterra. Em resposta a essas pressões e à opinião pública, o Governo brasileiro promulgou, em setembro de 1871, a Lei Rio Branco, conhecida como "Lei do Ventre Livre". Por essa lei eram emancipados os filhos de mulheres escravas nascidos a partir daquela data. Na realidade, porém, nada se alterava, pois o senhor da mãe escrava conservava o "direito aos serviços gratuitos dos menores até os 21 anos completos". Tratava-se apenas de uma medida para apaziguar os ânimos abolicionistas e ganhar tempo. Esse objetivo foi alcançado. O movimento perdeu força e só se recuperou na década seguinte. A resposta à nova ofensiva abolicionista foi outra lei paliativa. A 28 de setembro de 1885 era aprovada a Lei Saraiva-Cotegipe ou "Lei dos Sexagenários", que emancipava os escravos de mais de 65 anos. Na prática, essa lei apenas liberava o dono de escravos da responsabilidade pela manutenção da mão-de-obra improdutiva. Os abolicionistas, porém , não mais se deixariam conter ou iludir. O movimento conquistava um respaldo popular crescente e dos mais variados setores sociais: a Igreja, o Exército, associações de classe patronais e de empregados. A imprensa abolicionista fervilhava e se multiplicava. As fugas de escravos contavam com uma rede de apoio tão vasta que possibilitava o transporte dos fugitivos para o Ceará , onde a escravidão fora extinta em 1884. Tornaram-se comuns as grandes manifestações de rua. Repetiam-se as passeatas e comícios onde a palavra de ordem era a frase de José do Patrocínio: "A propriedade do escravo é um roubo". Finalmente, em 1888, os antiescravistas conquistaram a maioria no Parlamento. Refletindo a nova correlação de forças, a 7 de maio de 1888 o Congresso aprovava, por imensa maioria, um projeto de lei com o seguinte texto: "Artigo 1°. É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil. Artigo 2°. Revogam-se as disposições em contrário". Assinado a 13 de maio pela regente do trono, Princesa Isabel, o projeto transformou-se na Lei Áurea. Entretanto, ao contrário do que se esperava, a abolição não significou a emancipação efetiva da população escravizada. Sem medidas institucionais que promovessem sua integração à sociedade, os negros foram entregues à própria sorte. Desprotegidos e discriminados, acabaram engrossando os contingentes marginalizados que se aglomeravam na periferia das grandes cidades. Na realidade, a abolição veio afastar alguns dos obstáculos ao desenvolvimento da economia brasileira, cujo pólo dinâmico se baseava cada vez mais no trabalho assalariado. Beneficiavam-se os cafeicultores "modernos", de São Paulo, para quem a medida era sinônimo de incentivo à imigração européia; em contrapartida, os decadentes "barões do café", de terras já esgotadas, e donos de muitos escravos, retiraram seu apoio ao regime imperial, derrubado em 1889.É facil perceber que no início do século XX , ainda existiam muitos preconceitos em relação aos negros e índios , antigos escravos. Infelizmente dentro dos centros Cardecistas que praticavam o Espiritismo , movimento filosófico importado da Europa , não permitiam a manifestação dos espíritos de índios e negros, considerados espíritos atrasados ou ignorantes. É neste clima que o jovem Zélio com seus 17 anos amparado pelo Caboclo das sete encruzilhadas inicia o movimento Umbandista. OS PRIMEIROS ESPÍRITOS A SE COMUNICAREM. Exatamente no dia 16 de Novembro de 1908 , na rua Floriano Peixoto, 30, em Neves, município de São Gonçalo , Estado do Rio de Janeiro, o Caboclo desceu. Lá estavam muitos dirigentes da Federação Espírita e outras pessoas que vieram a saber do acontecimento. Às 20 horas, o Caboclo incorporou e imediatamente foi atender um paralítico, curando-o imediatamente. Inúmeras pessoas doentes ou perturbadas tomaram passes e muitas se disseram curadas. Logo após, o Caboclo conversou com os presentes à sessão declarando que se iniciaria, naquele instante, um novo Culto em que os espíritos de pretos velhos africanos, que haviam sido escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de ação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas quase que exclusivamente para os trabalhos de feitiçaria, e os índios nativos da nossa Terra, poderiam trabalhar em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a posição social. No final dessa reunião o Caboclo ditou certas normas para a seqüência dos trabalhos, inclusive atendimento absolutamente gratuito, roupagem branca, simples, sem atabaques, nem palmas ritmadas e os cânticos seriam baixos, harmoniosos. A esse novo tipo de culto que se formava nessa noite, a Entidade deu o nome de UMBANDA, que seria "a manifestação do espírito para a caridade". Posteriormente reafirmou a Leal de Souza que "Umbanda era uma linha de demanda para a caridade". Também nesse dia 16 foi fundada uma tenda com o nome TENDA ESPÍRITA NOSSA SENHORA DA PIEDADE , porque, segundo as palavras dessa Entidade: "Assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria aos que a ela recorressem nas horas de aflição". Disse ainda o seguinte: "Todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos àqueles que souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai". Neste mesmo dia 16 de novembro de 1908 baixou um preto-velho , de nome PAI ANTONIO. Quando essa Entidade se manifestou, parecia estar pouco a vontade frente a tanta gente, e recusando-se permanecer na mesa, onde se dera a incorporação, procurava passar desapercebido, humilde, aparentando alta idade e apresentando o corpo curvado, o que dava ao jovem Zélio um aspecto estranho, quase irreal. Essa Entidade logo despertou profundo sentimento de carinho e bem estar entre os presentes. Perguntado, então, porque não se sentava a mesa, com os demais irmãos, respondeu: "Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco i nego deve arrespeitá". Era a primeira manifestação desse espírito iluminado e que diante da insistência dos irmãos encarnados disse: "Num carece preocupá não, nêgo fica nu toco que é lugá di nêgo". Essa atitude dessa sábia e portentosa Entidade tinha a finalidade principal de incutir, desde o início, a humildade nos presentes. Procurava assim, demonstrar que se contentava em ocupar um lugar mais singelo, mostrando que poderia se adaptar a qualquer situação. Perguntado como havia sido sua morte física disse que havia ido à mata apanhar lenha, sentiu alguma coisa estranha, sentou-se e nada mais se lembrava. Sensibilizado com tanta humildade alguém lhe perguntou respeitosamente, se ele sentia saudade de alguma coisa que havia deixado na Terra. Pai Antonio respondeu então: "Minha cachimba, nêgo qué o pito que deixou no toco... Manda mureque buscá". Era a primeira vez que algum espírito pedia alguma coisa material, o que causou grande espanto nos presentes. OS PRIMEIROS TERREIROS DE UMBANDA DO BRASIL A partir de 16 de novembro de 1908, as sessões seguiram com as incorporações das entidades e estudos sobre a doutrina espirita. Após 9 anos de trabalhos , entre os anos de 1917 e 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, recebeu ordens e assumiu o comando para a fundação de mais SETE Tendas, que seriam uma espécie de Núcleo Central, de onde se propagaria a Umbanda para todos os lados. Numa sessão de desenvolvimento e estudos, o Caboclo das Sete Encruzilhadas escolheu sete médiuns para fundarem os novos Templos, que assim ficaram constituídos: Tenda Nossa Senhora da Guia Responsável :Durval de Souza Tenda Nossa Senhora da Conceição Responsável: Leal de Souza Tenda Santa Bárbara Responsável: João Aguiar Tenda São Pedro Responsável: José Meireles Tenda Oxalá Responsável: Paulo Lavois Tenda São Jorge Responsável: João Severino Ramos Tenda São Jerônimo Responsável: José Alvares Pessoa

 Caso tenha gostado deste e-book envie seus comentários ao autor: Manoel Lopes E-mail: mlopes@email.com.br São Vicente/SP - 22/01/2001

terça 20 outubro 2009 02:46 , em Edições Literarias Sobre a Umbanda


Desvendando a Umbanda

“DESVENDANDO A UMBANDA” POR MÍRIAM DE OXALÁ

 

CERTA VEZ, SONHEI COM UM HOMEM, UM BAIANO DE SIMPATIA

CATIVANTE, QUE ME LEVOU A UM TRONO PERDIDO EM NUVENS.

HOMEM MAGNÍFICO, VESTIDO DE VERMELHO, MAJESTOSO COMO UM REI,

DISSE: “AJUDAREI, APESAR DELA NÃO SER UM DOS NOSSOS”.

NADA SABIA DE UMBANDA, TUDO IGNORAVA.

POR ISSO, DEDICO ESSE TRABALHO À XANGÔ.

KAÔ KABIECILÊ, SENHOR REI!

 

 

 

ESSE LIVRO ENCONTRA-SE SOB REGISTRO OU AVERBAÇÃO

JUNTO À FUNDAÇÃO BIBLIOTECA

 

 

NACIONAL – ESCRITÓRIO DE DIREITOS

AUTORAIS (RJ) SOB NO. 300.324 LIVRO: 545 FOLHA: 484

TODOS OS DIREITOS DA AUTORA RESERVADOS

 

SUMÁRIO

Apresentação...................................................................................... 1

ABC de Ciência........................................................................... 4

ABC de Umbanda........................................................................ 6

ABC dos Orixás........................................................................... 16

ABC das Proibições..................................................................... 23

ABC das Linhas de Umbanda....................................................... 24

Pontos Riscados......................................................................... 31

Bibliografia................................................................................ 32

 

 

APRESENTAÇÃO

 

Gostaria de Ter uma conversa com você. Aliás, antes de começar este trabalho,

gostaria era de termos trocado idéias, ouvido suas opiniões, dúvidas e reais necessidades de

conhecimentos. Já que não é possível, vamos esclarecer as razões que me motivaram a iniciar

este livro e adotar alguns autores, de outras religiões.

Sei que mais uma colcha de retalhos, uma coletânea de textos já escritos por outros

autores não cabe. Bom, a idéia começou com um pequeno manual distribuído aos médiuns na casa de Umbanda que freqüento, com muito boa aceitação. Foi aí que vimos a urgência de

algo bem simplificado, abrangente, gostoso e fácil de ler, diferente de toda a literatura escrita

sobre o assunto. Algo que fizesse a difícil tarefa de acabar com os regionalismos, evitasse as

muitas superstições infundadas que correm por aí. Mas é muito querer abordar tudo em um

simples livrinho. Porém, fiquei satisfeita por pelo menos ter podido falar nos pontos básicos

que todo o mundo quer saber.

Nasci em lar espírita e toda a minha formação foi no Espiritismo, chegando a ser

médium. O Espiritismo é uma doutrina brilhante, seus médiuns passam por uma boa

escolarização, tornando-se disciplinados, estudiosos. Ninguém senta, sem constrangimento,

em uma mesa sem saber o que é o passe magnético, como se processa e as noções científicas

elementares que, mesmo sem se Ter muita cultura, qualquer um pode compreender nos dias

de hoje. Motivo houve para tornar-me umbandista, o qual ou os quais não me caberia citar.

Todavia, desejo trazer elementos básicos encontrados na bibliografia espírita para explicar por que acendemos uma vela, um preto-velho dá uma baforada com o seu cigarrinho de palha (ou cachimbo) no consulente, para sabermos um pouco, afinal, do que estamos fazendo dentro de uma casa de Umbanda.

Quero deixar bem claro que Umbanda não é Espiritismo, e vice-versa. São coisas

completamente distintas, apesar de haver alguns pontos em comum. E são esses pontos que

iremos abordar.

Agora vamos conversar sobre alguns prós e contras.

Quando me refiro a superstição, quero falar sobre aquelas afirmações mais estranhas,

sem fundamento, aquelas que, por desconhecimento qualquer um diz o que bem entender a

seu respeito. Nos anos d e trabalho, pessoalmente, já escutei as coisas mais estranhas. Nesses

casos, só temos de lamentar que se espalhem nas casas, o que é isto ou aquilo. Não basta dizer que fulano ou beltrano disse. Creio que isso não é resposta.

Duvidar não é pecado. Pecado é não compreender onde estamos nos metendo, não é

mesmo?

Há muitas polêmicas.

Uma são os limites da Umbanda e o Candomblé (ou Xangô, ou Nação, ou como é

chamado o Candomblé em sua localidade). Apesar de religiões irmãs, são diferentes. Na

Linha Branca ou Umbanda são invocados os mesmos Orixás, daí estudá-los e recordar as suas origens. Mas não há sacrifícios e cobrança de dinheiro. Dinheiro é problema delicado. Uma das Leis de Umbanda diz que deve haver caridade desinteressada.

Talvez, por esse motivo, os Exus ou Elebaras não “baixam”, não trabalham com o

público, são evitados, por exigirem sacrifícios. Quem sabe, por trabalharem em fluidos mais

densos, por falta de esclarecimento, são vistos como facas de dois gumes. Sem eles, não há

trabalho. E as casas não “cruzadas” não querem fazer sacrifícios. O que fazer?

Aí lembro de uma Pombagira que, um dia, disse que uma entidade superior a ensinara

a buscar na natureza, em lugares específicos, os recursos que necessitava. Daí trabalhar sem

“pagamento” e até gostar de fazer a caridade, apesar de, ainda, fazer parte das falanges de

Quimbanda. Ou seja, trabalhava nos “dois lados”. O que falta então? Orientar as entidades,

esclarecê-las de suas reais necessidades no plano espiritual com carinho e respeito.

Sobre dinheiro, os médiuns não devem receber “axés” ou remuneração pelos serviços.

Deve-se limitar ao material gasto nas oferendas e utilizado nas sessões, tais como álcool,

velas, ervas, defumação, etc. Há, inclusive, casas que de tão preocupadas com isso, pedem ao

consulente que traga o material ou são cobradas taxas não obrigatórias, insignificantes, com

fins de cobrar contas de água, luz e outras.

E tudo isso para quê?

Em todas as religiões, em todas as atividades humanas no mundo, há os exploradores

da boa-fé alheia. Muitos tornam a mediunidade uma forma fácil e lucrativa de ganhar a vida.

Solicitam trabalhos desnecessários, coagem as pessoas, assustando as que os procuram na

esperança de solução dos seus problemas. Cobram preços exorbitantes, prometem milagres

que não se cumprem. Tornam a “Umbanda” ou o Candomblé local em farsa, razão de pilhéria

e descrédito. Por todos esses motivos reunidos, Jesus ensinou que deveríamos dar de graça o

que de graça recebemos. Evita uma série de problemas ao próprio médium que, mais cedo ou

mais tarde, vê-se em descrédito em seu meio, e surge o que o médium jura que acontece com

todo o mundo, menos com ele: os guias afastam-se para dar lugar a ferozes obsessores,

tornando-se alvo dos “castigos dos Orixás”, que nada mais é do que o retorno de suas próprias más atitudes.

Como disse uma vez um preto-velho, o bem e o mal são bolas de borracha que,

jogadas à parede, retornam a quem as jogou, com igual força e intensidade.

Desconfie dos lugares onde circula o dinheiro. Das aparências. Verifique a real

destinação dos recursos, e se existe o mais importante: o amor ao próximo.

Na mediunidade, a moeda circulante é o amor. Sem ele, viramos mercenários. É

preciso ser muito forte quando começam os presentes, os elogios, os valores dados com

carinho para auxiliar aqui e ali. É nesses momentos que vemos até onde vai nossa vaidade

pessoal, que acaba minando os círculos mediúnicos, e a enorme responsabilidade de servos

dos Orixás, antes de tudo.

Para escrever, esbarramos na maior dificuldade: os regionalismos. E, para complicar

ainda mais, as diferentes nações de origem de cada estado com língua, costumes e ritos

diferentes de adoração aos Orixás.

Com isso, sabemos, surgem os mais estranhos exotismos citados por pessoas malorientadas.

Com a crescente divulgação de revistas e livros sobre os Orixás, suas origens,

saudações, está havendo uma nova conscientização. E isso é excelente.

O que é puro, então? É o conhecimento e o respeito à nação de origem do culto que se

está praticando, no Candomblé.

Na Umbanda, apesar dos conceitos centenários vindos da África, isso não acontece.

Muitos dos elementos existentes nos cultos são estranhos às nações africanas, de origem.

Vidro, louça nas contas das guias, álcool, fumo americano, ervas, e a crescente mobilidade no aprendizado umbandista, diferenciam-no do Candomblé, em muito. Tudo deve ser adaptado aos meios e recursos disponíveis.

Um exemplo a citar é que, ao ler a obra de Olga Gudolle Cacciatore sobre o Orixá

Ogum, constatei que o mesmo recebia inhame assado em suas oferendas. Curiosa, procurei

em vão pelo tal inhame que surgiu, muito recentemente, nos supermercados, como produto

exótico e caro. Em suma, o inhame não cresce no Rio Grande do Sul. É praticamente

desconhecido aqui. E agora? Oferecem-se outras coisas. É a solução!

O jeito encontrado foi citar, apenas, as oferendas com materiais disponíveis em todos

os lugares. Simplificar o máximo possível. Aliás, as oferendas sulistas são bem fáceis de

preparar, muito diferentes da sofisticação das receitas baianas, por exemplo. Assim, o material básico mantém-se, porém, preparado sem maiores detalhes.

Tentaremos evitar ao máximo o que é sabido e usado apenas no Rio Grande do Sul,

para não destoar dos demais Estados. Entretanto, desde agora pedimos a sua compreensão

para essa dificuldade.

E os Orixás respondem aos pedidos, oferecidos tão simplesmente.

Posso afirmar que sim.

Vemos que o tempero principal é a fé. O amor. O mesmo amor que faz entidades

luminares tomarem a forma tosca de um preto-velho, visto de soslaio pelos intelectuais,

tentando Ter acesso ao humilde que, sentindo-se à vontade, abre seu coração em confidências que irão mudar sua vida.

Um dia, espero, o amor será a única religião do mundo, como nos diz Miramez.

E haverá festa em Aruanda.

 

Meu carinho a você. Boa leitura

.

ABC DE CIÊNCIA

 

1. O que é vibração?

Já ouvimos coisas do tipo: “sinto uma vibração no ar”. Para

explicar o que é, imagine um pêndulo. Balançando para cá e para

lá. Este movimento especial, para cá e para lá, chama-se

oscilação; e o tempo que ele leva para ir e voltar, período.

Então, tudo o que se move (visível ou não) em um vaivém, como uma

onda, subindo e descendo, pode-se dizer que vibra, ou seja, movese

continuamente, no mesmo ritmo.

2. O que é freqüência?

Sem conhecê-la, é muito difícil imaginar como conseguimos

perceber as cores, entender porquê nosso rádio capta uma emissora

FM, como chega o canto do passarinho na árvore ao lado. Sabia que

tudo isso, na natureza, são ondinhas no ar, indo e vindo? E que

nós podemos perceber (com nossos olhos ou ouvidos) apenas

algumas, aliás, muito poucas? Essas ondas, que vibram na mesma

maneira, formam o que chamamos de freqüência.

3. O que é um campo magnético?

Já consegue imaginar o nosso ar como milhares, infinitas ondinhas

andando para cá e para lá? Só para exemplificar quantas ondas

existem, cada uma movimentando-se mais ou menos rápida que as

outras, os raios gama (da explosão atômica), os raios x, a luz

visível, o infravermelho (o cozimento de nossos alimentos),

radar, televisão, rádio, etc.

Todas elas, ao movimentar-se, criam em torno de si o que chamamos

de campo magnético. Especial em cada uma.

4. Como acontece o campo magnético?

Imagine um ímã, atraindo objetos. Esta “atração” existe também no

corpo humano, que chamamos “magnetismo animal” diferente do

magnetismo mineral existente, por exemplo, na magnetita

(tetróxido de triferro). Já vimos que a onda, ao existir, cria

consigo um campo magnético capaz de atrair determinadas coisas.

Essa capacidade de atrair ou repelir é muito importante para

entendermos o processo de comunicação mediúnica.

5. O corpo humano tem realmente magnetismo, ou seja, capta e repele

coisas?

Sim, com certeza. Há partes definidas que atraem certas ondas

vibratórias que a pessoa consegue definir e descrever. “Tenho um

arrepio desagradável quando entro lá” ou “Sinto-me tão bem, como

se o ar fosse perfumado” são frases comuns. Os médiuns, na

verdade, são pessoas capazes de perceber, através de treinamento

em ambos os planos (espiritual e material), um número maior de

ondas.

6. O pensamento é também uma onda?

Sim. O pensamento, ao ser emitido por nossos corpos cheios de

magnetismo, forma também uma onda. E é captado pelos telepatas

ou, se o pensamento for de um desencarnado ou mesmo encarnado,

pelo médium.

7. Um médium é também um telepata?

Também é, mas por captar o pensamento dos mortos é chamado de

médium. O que me diz dos médiuns que “captam” línguas antigas,

ditadas por espíritos, que ninguém sabe na atualidade? U

mensagens sobre como seriam lugares aonde nunca o ser humano foi

e, mais tarde, se comprova a veracidade?

8. As propriedades magnéticas espalham-se por todo o corpo?

Não, de igual forma. Há lugares onde se concentram mais,

especialmente pontas, atraindo ou repelindo (lembra-se do páraraios?).

Esses lugares chamam-se pólos. O planeta Terra inteiro,

e tudo o que nele existe e aí habita, é um campo magnético (tem

Pólo Sul e Pólo Norte), os corpos também o são. No corpo humano,

o magnetismo concentra-se especialmente nas mãos, sendo visto, em

 

quinta 29 outubro 2009 22:57 , em Edições Literarias Sobre a Umbanda


A Magia dos Pontos Riscados

Blog de umbandaraizes :Umbandaraizes, A Magia dos Pontos Riscados

 

A Magia dos Pontos Riscados

Estudo Umbandista Escrito por Mãe Mônica Caraccio 

O Ponto Riscado na Umbanda é Poder de Magia e traz toda a força misteriosa da escrita astral que tem o poder de fechar, trancar, abrir, quebrar, direcionar, harmonizar, transformar e equilibrar qualquer Energiasimbolo, o Terreiro ou até os médiuns, pois atua em seus campos energéticos e mediúnicos. Não pode existir um Terreiro sem o testemunho dos Pontos Riscados, isto é, da Pemba. Assim pode-se afirmar, sem a menor dúvida, que a Pemba é o instrumento mais poderoso da Umbanda, pois sem os pontos riscados nada se pode fazer com segurança.

Os pontos podem ser riscados em espaços fechados ou abertos. Se em espaço fechado a ação é concentrada, delimitada e limitada, cria-se um verdadeiro campo de força. Usado em solicitações específicas e nos pontos identificatórios. Quando riscado em espaço aberto a ação é ampla, vasta, envolve a todos e a todo o Terreiro. Dentro de um Terreiro esse tipo de ponto só é riscado pelo Pai ou Mãe Espiritual.

O Ponto Riscado pode ser Identificatório, que é uma das grandes provas para confirmar que o médium está capacitado para conquistar um novo grau, uma vez que se a Entidade não estiver realmente bem incorporada, e isso se deve somente à capacidade mediúnica do médium, ele não saberá e não conseguirá riscar com firmeza e clareza o ponto que identificará o Guia Espiritual entre os demais, é uma espécie de assinatura pessoal; pode ser Magístico ou Simbólico, que tem várias funções pois pode ser energizador, protetor, irradiador, desagregador, transmutador, entre muitas. O estudo formalizado desse tipo de ponto riscado não existe, pois esse conhecimento é de ‘poder do Astral Superior’, no entanto, é importante seguir algumas bases e livros Sagrados milenares, assim como algumas bases cabalísticas para tentarmos compreender esse grandioso Mistério; ou o ponto riscado pode ser ainda Simbólico, que tem um grande valor e poder mágico pois são sinais expressos em formas que dão a entender uma intenção, uma ação, um verbo ou uma direção.

Outro interessante e poderoso ponto riscado é a estrela, que dependendo do numero de pontas tem uma energia e uma atuação. A estrela de quatro pontas se assemelha a uma cruz e nos remete à estrela de natal, ao nascimento de Jesus e principalmente à finalidade de sua vinda. A estrela de cinco pontas é um símbolo poderoso de proteção e equilíbrio. Cada uma de suas cinco pontas representa um dos cinco elementos manifestados (Fogo, Ar, Água e Terra) mais o elemento unificador : o Espírito. A estrela de seis pontas é um símbolo potente que representa o macrocosmo (Deus, o Universo ou Energias mais altas) em equilíbrio com o microcosmo (a raça humana, a Terra ou Energias Evidentes). O triângulo que aponta para cima é símbolo do elemento Fogo e representa a aspiração de alcançar ou retornar ao Divino. O triângulo que aponta para baixo é símbolo do elemento água e significa o plano terreno. No encontro dos dois triângulos temos o centro do hexagrama e aí está o ponto onde o equilíbrio e a beleza são alcançados. A estrela de sete pontas é símbolo de integração, tão mistica quanto o número de suas pontas. Representa inteligência oculta, é associado aos sete planetas da astrologia clássica e a outros sistemas do Sete, tal como os chacras do Hinduísmo. Por fim, a estrela de oito pontas é símbolo de plenitude e regeneração, está ligado a sistemas de oito pontas tal como trigramas do I Ching, a roda pagã do ano e o “Ogdoad” do Egito antigo.

Cada ponto tem suas particularidades, seus elementos e seu modo de riscar onde absolutamente tudo tem um significado diferente. Compreender e saber “ler” os pontos riscados é um dever de todo médium e uma técnica que só se aprende com muito estudo, observação e trabalho.

quarta 25 novembro 2009 03:06 , em Edições Literarias Sobre a Umbanda


As Falanges de Trabalho na Umbanda

 

Texto extraído da internet.

autor desconhecido.

Na Umbanda nós não incorporamos Orixás e sim os falangeiros dos Orixás que são entidades evoluídas espiritualmente que vêem trabalhar nas giras de Umbanda. Falanges: são agrupamentos de espíritos afins que possuem a mesma vibração.São elas: pretos velhos, caboclos, exus, crianças, boiadeiros, ciganos, orientais e mestres que trabalham na cura.OS CABOCLOS

OS PRETOS VELHOS

São espíritos de velhos africanos que foram trazidos para o Brasil como escravos e que trabalham na Umbanda como símbolos da fé e da humildade. Seus trabalhos são de ajuda aqueles que estão em dificuldade material ou emocional, sendo que, o seu trabalho se desenvolve mas para o lado emocional e físico, das pessoas que os procuram, sendo chamados, carinhosamente de psicólogos dos aflitos. Sua paciência em escutar os problemas e aflições dos consulentes, fazem deles as entidades mais procuradas na Umbanda, são chamados de Vovôs e Vovós da Umbanda. Também usam ervas em seus trabalhos de magia e principalmente para rezar pessoas doentes e crianças que estão com mal olhado, suas rezas são conhecidas como poderosas, usam também de patuás, saquinhos que são depositados elementos de magia e que os consulentes usam no corpo para proteção. Da mesma forma que os Caboclos, os Pretos Velhos usam cachimbos para limpeza espiritual, jogando sua fumaça sobre a pessoa que esta recebendo o passe e limpando a aura de larvas astrais e energias negativas.

OS BOIADEIROS

São espíritos de pessoas, que em vida trabalharam com o gado, em fazendas pôr todo o Brasil, estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos nas giras, sessões de encorporação na Umbanda. Usam de canções antigas, que expressam o trabalho com o gado e a vida simples das fazendas, nos ensinando a força que o trabalho tem e passando, como ensinamento, que o principal elemento da sua magia é a força e a vontade de conquistar, fazendo assim que consigamos uma vida melhor e farta. Nos seus trabalhos usam de velas, pontos riscados e rezas fortes para todos os fins.

 

 

AS CRIANÇAS

Estas entidades são a verdadeira expressão da alegria e da honestidade, dessa forma, apesar da aparência frágil, são verdadeiros magos e conseguem atingir o seu objetivo com uma força imensa, atuam em qualquer tipo de trabalho, mas, são mais procurados para os casos de família e gravidez.

OS EXUS

são entidades em evolução, seu trabalho é dirigido, principalmente a defesa dos seus médiuns e a defesa do terreiro, porém, são muito procurados para resolver os problemas da vida sentimental e material. Costumam trabalhar com velas, charutos, cigarros, bebidas fortes, punhais em seus pontos riscados, pembas brancas, pretas e vermelhas . Devido ao seu temperamento forte e alegre costumam atrair bastante os consulentes , principalmente pôr que quando falam que vão ajudar certamente o farão.

Os Exús nas sete linhas de Umbanda:

Linha de Ogum: Exu Tranca Ruas das Almas, Exu tranca Ruas de Embaré, Exu Tranca Ruas das Sete Encruzilhadas, Exu Veludo, Exu Sete Encruzilhadas, Exu sete Facas, Exu da Mangueira e outros.

Linha de Oxossi: Exu Marabô, Exu Tronqueira, Exu Mangueira e outros.

Linha de Xangô : Exu Marabô Toquinho, Exu Labareda, Exu do Lodo, Exu Pedra Negra e outros.

Linha de Yorimá : Exu Caveira, Exu Tata Caveira, Exu 7 covas, Exu Bananeira, Exu Mulambo, Exu 7 porteira e outros.

Linha de Oxalá : Exu Tiriri, Exu Veludinho, Exu Gira Mundo, Exu Sete Encruzilhadas e outros.

Linha de Yemanja : Todas as Pombagiras.

Linha de Yori : Todos os Exus mirins.

Para um melhor entendimento passarei agora as sete linhas de trabalho da Umbanda:

 

 

Linha de Oxalá:

Esta linha é regida pôr Jesus Cristo e representa o princípio da criação, a luz divina que coordena todas as outras. Os guias principais desta linha são : Caboclo Urubatão de Guia, Caboclo Ubirajara, Caboclo Aymoré, Caboclo Guaracy, Caboclo Guarany e Caboclo Tupy. Estes guias são os chefes de falanges, mais existem os demais guias que pertencem a esta linha e trabalham na caridade, são eles: Caboclo Pena Branca, Caboclo Águia Branca, Caboclo Tupã, Caboclo Rompe Nuvem, Caboclo Tamoio, Caboclo Gira Sol e outros. O astro que rege esta linha é o Sol e tem como guardião o anjo Gabriel.

 

 

Linha de Yemanja:

Esta linha é regida pôr Nossa Senhora da Glória como principal mais tem também Nossa Senhora da Conceição, que é sincretizada com Oxúm, representa a Divina Mãe, a energia feminina e da natureza da água, a gestação e a fecundação. Os guias principais desta linha são : Cabocla Yara, Cabocla indayá, Cabocla Estrela do mar, Cabocla Nanã, Cabocla Sereia do Mar, Cabocla Oxúm, Cabocla Iansã. Outros guias que trabalham nesta linha são: Cabocla Jandira, Cabocla Iracema, Cabocla Jupira, Cabocla Jacira, Cabocla da Praia, Cabocla Juçanã, Cabocla Sete Ondas, Cabocla Estrela Dalva e outras.O astro que rege esta linha é a Lua e tem como guardião o anjo Rafael.

 

 

Linha de Xangô :

Esta linha é regida pôr São Jerônimo como principal, mais, São João Batista, São Pedro e São Paulo, também regem esta linha como sincretismo de Xangô Kaô e Agodô ou Aganjú. Representa a Justiça Divina, a lei Kármica, é o dirigente das almas, o senhor da balança Universal que afere o nosso estado espiritual. Os guias principais desta linha são : Xangô Kaô, Caboclo Sete Montanhas, Caboclo Sete Pedreiras, Xangô da Pedra Preta, Xangô da Pedra Branca, Caboclo Sete Cachoeiras e Xangô Agodô. Outros guias que trabalham nesta linha são: Caboclo Cachoeira, Caboclo Junco Verde, Caboclo Gira Mundo, Caboclo Cachoeirinha, Caboclo Sumaré, Caboclo Rompe Montanha, Caboclo Ventania, Caboclo Rompe Serra e outros. O astro que rege esta linha é Júpiter e tem como guardião o anjo Miguel.

 

 

Linha de Ogum:

Esta linha é regida pôr São Jorge representa o fogo da Salvação, a linha das demandas da fé, das aflições, das lutas e batalhas. Os guias principais desta linha são : Ogum de Lei, Ogum Yara, Ogum Megê, Ogum Rompe Mato, Ogum de malê, Ogum Beira Mar, Ogum Matinada. Outras entidades conhecidas que trabalham nesta linha são: Ogum Sete Espadas, Ogum Sete Lanças, Ogum Sete Escudos, Caboclo Timbiri, Caboclo Tira Teima, Caboclo Humaitá, Caboclo Rompe Mato, Caboclo Araguarí e outros. O astro que rege esta linha é Marte e tem como guardião o anjo Samuel. Nesta linha também trabalham os Exus de Umbanda.

 

 

Linha de Oxosse:

Esta linha é regida pôr São Sebastião, representa o Caçador das Almas, o mestre que ensina a doutrina e pratica a catequese dos filhos que o procuram. Os guias principais desta linha são : Caboclo Arranca Toco, Cabocla Jurema, Caboclo Araribóia, Caboclo Guiné, Caboclo Arruda, Caboclo Pena Branca e Caboclo Cobra Coral. Outras entidades que trabalham nesta linha são : Caboclo Pena Azul, Caboclo Pena Verde, Caboclo Pena Dourada, Caboclo  Tupinanbá, Caboclo Tabajara, Caboclo Sete Flechas, Caboclo Tupiára, Caboclo Tupiaçú, Caboclo Mata Virgem, Caboclo Rei da Mata, Caboclo Pery, Caboclo Rompe Folha, Caboclo Paraguassu, Caboclo Arerê, Caboclo Coqueiro, Caboclo Sete Palmeiras, Caboclo Juremá, Caboclo Folha Verde e outros. O astro que corresponde a esta linha é Vênus e o guardião é o anjo Ismael.

 

 

Linha de Yori:

Esta linha é regida pôr São Cosme e São Damião, é a linha da Ibejada que são as crianças, representa a alegria, a luz da espiritualidade, a ingenuidade e lealdade infantil. Os guias principais desta linha são: Tupanzinho, Ori, Yariri, Doum, Yari, Damião e Cosme. Outros guias que trabalham neta linha são : Crispim, Crispiniano, Mariazinha, Zequinha, Chiquinho, Luizinho, Joãozinho, Paulinho, Luizinha, Ana Maria, Joaninha e outros. O astro que corresponde a esta linha é Mercúrio, e o guardião é o anjo Yoriel.

 

 

Linha de Yorimá:

Esta linha é regida por São Lázaro e São Roque respectivamente sincretizados com Obaluaê e Omolú, é a linha dos pretos velho ou linha das almas, representa a palavra da lei, a linha das magias. É composta pêlos espíritos que tem a missão de combater o mal e todas as suas manifestações. São os Senhores da Magia. Os guias principais desta linha são : Pai Guiné, Pai Tomé, Pai Arruda, Pai Congo de Aruanda, Maria Conga, Pai Benedito e Pai Joaquim. Outras entidades que trabalham nesta linha são : Pai João, Pai Jacob, Vovó Ana, Vovó Cambinda, Pai Cipriano, Pai Simplício, Tia Chica, Pai Chico, Pai Miguel, Vovó Catarina, Pai Congo do Mar, Pai Mané, Pai Antônio, Pai Congo, Pai Moçambique, Pai Zé, Pai Fabrício, Pai Jovino, PaiTomás, Vovó Luiza e outros. O astro que corresponde a esta linha é Saturno e o guardião é o anjo Iramael.

Estas são as Sete Linhas de Umbanda e seus guias principais, existem outros guias   que não foram citados, mais não dá para falar todos os nomes das entidades que trabalham nas giras da nossa querida Umbanda.

             

A Umbanda trabalha com sessões públicas, onde os espíritos guias incorporam em médiuns preparados e através da palavra de amor ajudam a todos que os procuram. Trabalha também com a magia para desfazer encantos maléficos e para limpar a aura dos que precisam. Todos os trabalhos desenvolvidos na UMBANDA são executados pôr entidades guias com  o caboclos, pretos velhos, crianças, boiadeiros e exus, que são espíritos em evolução mais próximos a nós do plano terrestre e guias orientais que trabalham na cura de males físicos e espirituais.

AS CORES E ELEMENTOS DE CADA ORIXÁ NA UMBANDA

OGUM -   A cor é vermelho e branco, predominando o vermelho, sua erva é folha de arueira, mangueira, espada de são jorge, seu símbolo é a espada, sua saudação é ognhê patacurí ogum, sua guia é de cristal em contas vermelhas e brancas com firma vermelha, sua pedra é a ágata de fogo, rubí, sárdio e garnet, sua essência é violeta, seu metal é o ferro, seu número é o três, sua comida preferida é inhame acará assado com palitos de dendezeiro, ele come também feijão preto cozido com camarão seco dendê e cebola, feijoada, inhame cozido com mel, sua bebida é o vinho de palma ou vinho tinto ou cerveja branca, sua fruta é manga espada, seu dia é terça-feira, é sincretizado com São Jorge.

OXOSSI -  A cor é verde, vermelha e branca predominando o verde, sua erva é folha de guiné, peregum, mangueira, seu símbolo é o arco e a flecha, sua saudação é okearô oxossi coquê maió, sua guia é de cristal verde, vermelha e branca com firma branca, sua pedra é jasper verde, quartzo verde, esmeralda, sua essência é eucalipto, sândalo, seu metal é o latão branco, seu número é o cinco, sua comida é o axoxô, milho de galinha cozido com coco e mel, sua bebida é o vinho rosado ou tinto, sua fruta é cajá, maracujá, mamão, seu dia é quinta-feira, é sincretizado com São Sebastião.

XANGÔ -

Sua cor é o marrom, sua erva é elevante, abre caminho, manjericão, seu símbolo é a machada e o raio que ele divide com iansã, sua saudação é kaô kabecilê, sua uia é de contas de cristal marrom, sua pedra é topázio e citrino, sua essência é de morango, seu metal é o bronze e o cobre, seu número é o seis, sua comida é o amalá, quiabos cortados em rodelas pequenas refogado com dendê, cebola e camarão seco com 7 ou 9 quiabos inteiros formando a sua coroa ou quiabos contados em cruz amassados com mel, o ajebó, sua bebida é cerveja preta, sua fruta é caquí, manga rosa, mamão, cajá manga, seu dia é quarta-feira, é sincretizado com são Jerônimo e são João Batista.

OXALÁ -

Sua cor é o branco, sua erva é boldo, manjericão, seu símbolo é o opachorô, cetro de metal branco com os símbolos da criação, sua saudação é acheuepa babá, sua guia é de contas brancas de louça com firma branca, sua pedra é o cristal branco, sua essência é de alfazema e mirra, seu metal é o ouro amarelo e branco e o estanho, seu número é o 16 e o 10, sua comida é a canjica de milho branco cozida com mel e o acaçá no leite de coco, sua bebida e o aluá de oxalá ou vinho de palma, sua fruta é pêra, uva verde, maçã verde, seu dia é sexta-feira, é sincretizado com Jesus Cristo.

EXÚ -

Sua cor é o vermelho e preto, sua erva é folha da fortuna, seu símbolo é o tridente, sua saudação é laroiê cobaralô exú mojubá ê, sua guia é vermelha e preta de louça ou cristal, sua pedra é a ágata de fogo ou ágata vermelha, sua essência é cedro ou verbena, seu metal é o ferro que ele divide com ogum e o mercúrio, seu número é o sete, sua comida é o padê de exú, farinha de mesa ou fubá misturados com dendê ou cachaça em um alguidar, sua bebida é a cachaça ou bebidas fortes, sua fruta é cajá e amêndoa, seu dia é segunda-feira, têm como guardião Santo Antônio.

OBALUAÊ -

Sua cor é o preto e branco, sua erva é canela de velho, guiné, seu símbolo é o brajá de búzios, xaxará, instrumento de obaluaê como um chocalho, sua saudação é atotô ajoberu, sua guia é de contas pretas e brancas de louça, sua pedra é a turmalina negra e ônix, sua essência é de cravo e canela, seu metal é o bronze, seu número é o 21 e o 9, sua comida é o doburu milho de pipoca estourados na areia da praia, sua bebida é o vinho de palma e o aluá de obaluaê ou vinho moscatel, sua fruta é fruta do conde, abacaxi, seu dia é segunda-feira, é sincretizado com São Lázaro ou São Roque.

OXUMAÊ -

Sua cor são as cores do arco-íris, sua erva é o pente de oxumarê e a folha de tangerina, seu símbolo é o arco-íris e a cobra, sua saudação é arroboboi, sua guia é de contas amarelas e verde de louça com firma verde, sua pedra é a turmalina colorida ou melancia como é conhecida, sua essência é de bergamota ou de rosas, seu metal é o ouro amarelo e o latão branco ou amarelo, seu número é o 13, sua comida é batata doce cozida amassada com mel e dendê colocadas em forma de cobra, sua bebida é o aluá de oxumarê e vinho branco, sua fruta é uva rosada, melancia, seu dia é sábado, é sincretizado com São Bartolomeu. O arco-íris é o elemento da natureza que representa Oxumarê.

 

OXÚM -

Sua cor é o azul e branco, sua erva é folha de colônia, oriri e lírios, seu símbolo é o espelho e o coração, sua saudação é oraieieô, sua guia é de contas azuis e brancas de cristal com firma azul, sua pedra é a sodalita e a pirita, sua essência é angélica, seu metal é o ouro amarelo, seu número é o 6 e o 8, sua comida é o omolocum, feijão fradinho cozido refogado com dendê camarão seco e cebola, sua bebida é o aluá de oxum, sua fruta é melão, uva verde, seu dia é sábado, é sincretizado com Nossa Senhora da Conceição.

 

 

IANSÃ -

Sua cor é o amarelo ou coral, sua erva é espada de iansã ou para raio, seu símbolo é o raio, sua saudação é eparei oyá, sua guia é de contas amarelas de louça ou cristal, sua pedra é o quartzo rosa, sua essência é benjoim, seu metal é o bronze e o cobre, seu número é o 7 e o 9, sua comida é acarajé feito com feijão fradinho descascado e moído misturado com cebola e camarão seco e fritos no dendê, mel ou azeite doce, sua bebida é o aluá de iansã, sua fruta é a manga rosa, seu dia é quartafeira, é sincretizada com Santa Bárbara.

YEMANJÁ -

Sua cor é o branco cristal, sua erva é santa luzia , rama de leite e colônia, seu símbolo é o peixe e a estrela de cinco pontas, sua saudação é odoiá eruiá yemonjá, sua guia é de cristal, sua pedra é a pérola e a turquesa, sua essência é de jasmim, seu metal é a prata e o ouro branco, seu número é o 10, o 7 e o 12, sua comida é o peixe assado ou cozido com azeite doce camarão seco e cebola ou a canjica cozida com mel e maçã em rodelas, sua bebida é o aluá de yemanjá, sua fruta é a maçã, pêra e uvas verdes, seu dia é sábado, é sincretizada com Nossa Senhora da Glória.

 

 

NANÃ -

Sua cor é o violeta ou roxo, sua erva é o manjericão da folha roxa, folha de limão, seu símbolo é o ibiri que ela traz na mão para afastar a morte, sua saudação é saluba nanã boruquê, sua guia é de contas de cristal roxa, sua pedra é a ametista, sua essência é de limão, seu metal é o estanho e o bronze, seu número é o 7 e o 21, sua comida é feijão preto cozido com folha de taioba cebola e camarão seco, repolho roxo cozido com arroz cebola e camarão seco, sua bebida é o aluá de nanã, sua fruta é o limão e a laranja, seu dia é sábado, é sincretizada com Santana.

OS SACRAMENTOS DA UMBANDA

A Umbanda trabalha com alguns sacramentos que são parecidos com os da Igreja Católica, que são: casamento, funeral e batismo. O casamento é realizado pelo guia chefe da casa ou pelo sacerdote responsável pêlo centro, e não pertence só aos médiuns da casa, qualquer um que deseje casar-se na Umbanda pode pedir este sacramento.

O funeral é realizado pelo sacerdote do terreiro e sofre alterações de acordo com a condição do morto, se é iniciádo na Umbanda ou não.  O batismo é realizado sempre pêlo guia chefe do terreiro e pode ser para crianças ou adultos e também não se restringe apenas aos médiuns da casa. Os outros sacramentos da Umbanda são referentes aos graus de iniciação dos médiuns da casa, são eles:

Amaci:

ritual de lavagem da cabeça do médium, já desenvolvido, com ervas e outros elementos rituais, que consiste na preparação da vibração deste médium para encorporar o seu guia protetor de umbanda, que se manifestará no ritual e dirá qual o trabalho que aquele médium irá desenvolver na umbanda.

Confirmação:

ritual para médiuns que completam 21 anos de idade carnal, e já pertencem a umbanda e possuem o amaci.

Deitadas:

ritual em que o médium da casa é recolhido com oferendas para o seu orixá e exús para fortalecer a sua mediunidade.

Feitura:

ritual de iniciação na umbanda que consiste em vários rituais de limpeza e em um recolhimento, que pode variar de 3 a 7 dias, de acordo com o orixá da pessoa, e saída do orixá principal e do guia protetor do médium.

Coroação:

para médiuns já com feitura e que possuem a missão de se tornarem zeladores de umbanda.

Todos estes rituais são realizados pelo zelador do terreiro acompanhado pelo pai pequeno da casa.

 

 

São entidades, espíritos de índios brasileiros e Sul Americanos, que trabalham na caridade como verdadeiros conselheiros, nos ensinando a amar ao próximo e a natureza, são entidades que tem como missão principal o ensinamento da espiritualidade e o encorajamento da fé, pois é através da fé que tudo se consegue. Usam em seus trabalhos ervas que são passadas para banhos de limpeza e chás para a parte física, ajudam na vida material com trabalhos de magia positiva, que limpam a nossa áura e proporcionam uma energia de força que irá nos auxiliar para que consigamos o objetivo que desejamos, não existe trabalhos de magia que possam lhe dar empregos e favores, isso não é verdade, o trabalho que eles desenvolvem é o de encorajar o nosso espírito e prepara-lo para que nós consigamos o nosso objetivo.

A magia praticada pêlos espíritos de caboclos e pretos velhos é sempre positiva, não existe na Umbanda trabalho de magia negativa, ao contrário, a Umbanda trabalha para desfazer a magia negativa. Eu sei que infelizmente, existem vários terreiros que praticam esta magia inferior, mas estes são os magos negros, que para disfarçar o seu verdadeiro propósito, se escondem em terreiros ditos de Umbanda para que possam atrair as pessoas e desenvolver as suas práticas negativas, com promessas falsas que sabemos nunca são atendidas. Mais graças a Oxalá, esses terreiros estão acabando, pois, o povo esta tendo um maior conhecimento e buscando a verdade e é através desse caminho, de busca da verdade, que esse templo de Umbanda pretende ensinar a todos, o verdadeiro caminho da fé. Os caboclos de Umbanda são entidades simples e através da sua simplicidade passam credibilidade e confiança a todos que os procuram, seus pontos riscados, grafia sagrada dos Orixás, traduzem a mais forte magia que existe atualmente, é através desses pontos que são feitas limpezas e evocações de elementais e Orixás para diversos fins, mais a frente falaremos um pouco mais sobre os pontos riscados deUmbanda.

Nos seus trabalhos de magia costumam usar pembas, ( giz de várias cores imantados na energia de cada Orixá), velas, geralmente de cêra, essências, flores, ervas, frutas, charutos e incenso. Todo esse material será disposto encima de uma mandala ou ponto riscado, para que esse direcione o trabalho.Quando fazemos um trabalho para uma entidade de Umbanda e colocamos algum prato de comida, como pôr exemplo espigas de milho cozidas com mel, esta comida não é para o Caboclo comer, espíritos não precisam de comida, o alimento que esta ali depositado, serve como alimento espiritual, isto é, a energia que emana daquela comida e transmutada e utilizada para o trabalho de magia a favor do consulente, da mesma forma o charuto que a entidade esta fumando é usado para limpeza, do consulente através da fumaça e das orações que estas entidades fazem no momento da limpeza, são os chamados passes de Umbanda.

Muitas vezes a Umbanda é criticada e chamada de baixo espiritismo, pois seus guias fumam e bebem, mais estas críticas se devem a uma falta de conhecimento da magia ritual que a Umbanda pratica, desde o início, com tanta maestria e poder, e sempre o fará para o bem de todos.

 

domingo 20 dezembro 2009 03:28 , em Edições Literarias Sobre a Umbanda


ALMA, PRINCÍPIO VITAL E FLUIDO VITAL O LIVRO DOS ESPÍRITOS - Allan Kardec

ALMA, PRINCÍPIO VITAL E FLUIDO VITAL

 ALMA (do lat. anima; gr. anemos, sopro, emanação, ar). Allan Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO DOS ESPÍRITOS).

  Segundo uns, a alma é o princípio da vida material orgânica. Não tem existência própria e se ani-quila com a vida: é o materialismo puro. Neste sentido e por comparação, diz-se de um instrumento ra-chado, que nenhum som mais emite: não tem alma. De conformidade com essa opinião, a alma seria efei-to e não causa. Pensam outros que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma certa porção. Segundo esses, não haveria em todo o Universo senão uma só alma a distribuir cente-lhas pelos diversos seres inteligentes durante a vida destes, voltando cada centelha, mortos ou seres, à fonte comum, a se confundir com o todo, como os regatos e os rios voltam ao mar, donde saíram. Essa opinião difere da precedente em que, nesta hipótese, não há em nós somente matéria, sub-sistindo alguma coisa após a morte. Mas é quase como se nada subsistisse, porquanto, destituídos de individualidade, não mais teríamos consciência de nós mesmos. Dentro desta opinião, a alma universal seria Deus, e cada ser um fragmento da divindade. Simples variante do panteísmo. Segundo outros, finalmente, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que con-serva sua individualidade após a morte. Esta acepção é, sem contradita, a mais geral, porque, debaixo de um nome ou de outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra, no estado de crença instinti-va, não derivada de ensino, entre todos os povos, qualquer que seja o grau de civilização de cada um. Essa doutrina, segundo a qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas. Sem discutir o mérito de tais opiniões e considerando apenas o lado lingüístico da questão, dire-mos que estas três aplicações do termo alma correspondem a três idéias distintas, que demandariam, para serem expressas, três vocábulos diferentes. Aquela palavra tem, pois, tríplice acepção e cada um, do seu ponto de vista, pode com razão defini-la como o faz. O mal está em a língua dispor somente de uma palavra para exprimir três idéias. A fim de evitar todo equívoco, seria necessário restringir-se a acepção do termo alma a uma daquelas idéias. A escolha é indiferente; o que se faz mister é o entendimento entre todos reduzindo-se o problema a uma simples questão de convenção. Julgamos mais lógico tomá-lo na sua acepção vulgar e por isso chamamos ALMA ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo. (...) Concebe-se que, com uma acepção múltipla, o termo alma não exclui o materialismo, nem o pan-teísmo. O próprio espiritualismo pode entender a alma de acordo com uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do Ser imaterial distinto, a que então dará um nome qualquer. Assim, aquela pa-lavra não representa uma opinião: é um Proteu, que cada um ajeita a seu bel-prazer. Daí tantas disputas intermináveis. Evitar-se-ia igualmente a confusão, embora usando-se do termo alma nos três casos, desde que se lhe acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de vista em que se está colocado, ou a apli-cação que se faz da palavra. Esta teria, então, um caráter genérico, designando, ao mesmo tempo, o prin-cípio da vida material, o da inteligência e o do senso moral, que se distinguiriam mediante um atributo, como os gases, por exemplo, que se distinguem aditando-se ao termo genérico as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto. Poder-se-ia, assim dizer, e talvez fosse o melhor, • a alma vital - indicando o princípio da vida material; • a alma intelectual - o princípio da inteligência, e • a alma espírita - o da nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras, mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. De conformidade com essa maneira de falar, • a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; • a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e • a alma espírita somente ao homem. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, PARTE 2a - CAPÍTULO II, obra codificada por Allan Kardec 134. Que é a alma? “Um Espírito encarnado.” Observação do autor desta apostila: Note-se que a alma no mundo dos Espíritos utiliza-se do perispírito para a mani-festação da sua individualidade, assim, no mundo espiritual a alma + perispírito = Espírito, e, quando na Terra é um Espírito en-carnado, ou melhor, alma + perispírito + corpo físico = homem. (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra de autoria de Allan Kardec). 134a) - Que era a alma antes de se unir ao corpo? “Espírito.” 134b) - As almas e os Espíritos são, portanto, idênticos, a mesma coisa? “Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteli-gentes que povoam o mundo invisível, os quais temporariamente revestem um invólucro carnal para se purificarem e esclarecerem.” 135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo? “Há o laço que liga a alma ao corpo.” 135a) - De que natureza é esse laço? “Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a ma-téria e reciprocamente.” NOTA DE ALLAN KARDEC - O homem é, portanto, formado de três partes essenciais: 1o - o corpo ou ser material, análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital; 2o - a alma, Espírito encarnado que tem no corpo a sua habitação; 3o - o princípio intermediário, ou perispírito, substância semimaterial que serve de primeiro envoltório ao Espírito e li-ga a alma ao corpo. Tais, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca. 136. A alma independe do princípio vital? “O corpo não é mais do que envoltório, repetimo-lo constantemente.” 136a) - Pode o corpo existir sem a alma? “Pode; entretanto, desde que cessa a vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, ainda não há união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que, depois dessa união se haver estabelecido, a morte do corpo rompe os laços que o prendem à alma e esta o abandona. A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.” 136b) - Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma? “Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.” 149. Em que se torna alma no instante da morte? “Torna-se Espírito; isto é, entra no mundo dos Espíritos que havia deixado momentaneamente”. Observação do autor desta apostila: De alma + perispírito + corpo físico = homem a alma volta a ser Espírito, ou seja, alma + perispírito = Espírito. (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 (obra de autoria de Allan Kardec). O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec). 9. Quando a alma está ligada ao corpo, durante a vida, tem duplo envoltório: um pesado e grossei-ro e perecível, que é o corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito. 10. Existem, portanto, no homem, três elementos essenciais: 1o . A alma ou Espírito, princípio inteligente onde residem o pensamento, a vontade e o senso mo-ral; 2o . O corpo, envoltório material que põe o Espírito em relação com o mundo exterior; 3o. O perispírito, invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo de liame e de intermediário entre o Espírito e o Corpo.” 14. A união da alma, do perispírito, e do corpo material constitui o homem. A alma e o perispírito separados do corpo constituem a ser a que chamamos Espírito. NOTA DE ALLAN KARDEC referindo-se aos itens acima citados: • A alma é assim um ser simples; • O Espírito um ser duplo, e • O homem um ser triplo. Seria portanto mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode con-ceber o princípio inteligente sem ligação material, as palavras alma e Espírito são, no uso comum, indife-rentemente empregadas uma pela outra; é a figura que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila composta de tantas casas; porém, filosoficamente é essencial fazer-se a diferença. Revista Espírita (Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec), Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL. As palavras alma e Espírito, posto que sinônimos e empregados indiferentemente, não exprimem exatamente a mesma idéia. A alma é, a bem dizer, o princípio inteligente, imperceptível e indefinido co-mo o pensamento. No estado dos nossos conhecimentos, não podemos concebê-lo isolado da matéria de maneira absoluta. Posto que formado de matéria sutil, o perispírito, dele faz um ser limitado, definido e circunscrito a sua individualidade espiritual. De onde se pode formular esta proposição: • A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o HOMEM; • A alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado ESPÍRITO. Nas manifestações espíritas não é, pois, a alma que se apresenta só; esta sempre revestida de seu envoltório fluídico; esse envoltório é o necessário intermediário, através do qual ela age sobre a matéria compacta. Nas aparições não é a alma que se vê, mas o perispírito; do mesmo modo que quan-do se vê um homem vê-se seu corpo, mas não o pensamento, a força, o princípio que o faz agir. Em resumo, • A alma é um ser simples, primitivo; • o Espírito o ser duplo e • o homem o ser triplo. Se se confundir o homem com roupas, teremos um ser quádruplo. Na circunstância de que se tra-ta, o vocábulo Espírito é o que melhor corresponde à coisa expressa. Pelo pensamento representa-se um Espírito, mas não se representa uma alma. ESPÍRITO (Do lat. spiritus, de spirare, soprar). Allan Kardec, no livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas No sentido especial da doutrina espírita, os espíritos são seres inteligentes da criação e povoam o Universo fora do mundo corpóreo. O LIVRO DOS ESPÍRITOS, LIVRO 2o - CAPÍTULO I, obra codificada por Allan Kardec 76. Que definição se pode dar dos Espíritos? “Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material.”( ) A natureza íntima dos Espíritos nos é desconhecida; eles mesmos não a podem definir, seja por ignorância, seja pela insuficiência da nossa linguagem. Somos a este respeito como cegos de nascença em face da luz. Segundo o que eles nos dizem, o Espírito não é material no sentido vulgar da palavra; não é tampouco imaterial em sentido absoluto, porque o Espírito é alguma coisa e a imaterialidade abso-luta seria o nada. O Espírito é, pois, formado de uma substância, mas da qual a matéria grosseira que impressiona nossos sentidos não pode dar-nos uma idéia. Pode-se compará-lo a uma chama ou centelha cujo brilho varia segundo o grau de purificação. Pode tomar todas as espécies de formas por meio do pe-rispírito de que está envolvido. ESPÍRITO ELEMENTAR (ALMA)( ) Allan Kardec, no livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (Vocabulário Espírita) Espírito elementar - Espírito considerado em si mesmo e feita abstração de seu perispírito ou in-vólucro material.(Alma) O LIVRO DOS ESPÍRITOS, LIVRO 1o - CAPÍTULO II, obra codificada por Allan Kardec 23. Que é o Espírito?(ALMA) “O princípio inteligente do Universo.” (Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec)). PERISPÍRITO De per, em redor, e spiritus, espírito. Allan Kardec, no livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas Invólucro semimaterial do Espírito depois da sua separação do corpo. O Espírito o tira do mundo em que se acha e o troca ao passar de um a outro; ele é mais ou menos sutil ou grosseiro, segundo a natureza de cada globo. O perispírito pode tomar todas as formas à vontade do Espírito; ordinariamente ele assume a imagem que este tinha em sua última existência corporal. Embora de natureza etérea, a substância do perispírito é suscetível de certas modificações que a tornam perceptível à nossa vista. É o que se dá nas aparições. Ela pode até, por sua união com o fluido de certas pessoas, torna-se temporariamente tangível, isto é, oferecer ao toque a resistência de um corpo sólido, como se vê nas aparições estereológicas ou palpáveis. A natureza íntima do perispírito não é ainda conhecida; mas poder-se-ia supor que a matéria do corpo é composta de uma parte sólida e grosseira e de uma parte sutil e etérea; ao passo que a segunda persiste e segue o espírito. O espírito teria, assim, um duplo invólucro; a morte apenas o despojaria do mais grosseiro; o segundo, que constitui o perispírito, conservaria o tipo a forma da primeira, da qual ele é como a sombra; mas sua natureza essencialmente vaporosa permite ao Espírito modificar esta forma à sua vontade, torná-la visível, palpável ou impalpável. O perispírito é, para o Espírito, o que o perisperma e para o germe do fruto. A amêndoa, despo-jada do seu invólucro lenhoso, encerra o germe sob o invólucro delicado do perisperma.

FLUIDO UNIVERSAL Questão 27 de «O LIVRO DOS ESPÍRITOS» Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, é a trindade Universal. Deus é a inteligência suprema causa primária de todas as coisas.(q. 1 – LE) O Espírito (Alma) é o princípio inteligente. Para que o Espírito possa exercer ação sobre a matéria tem que se juntar o fluido universal, pois, é ele que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a matéria grosseira. É lícito até certo ponto, classificar o fluido universal com o elemento material, porém, ele se dis-tingue, deste por propriedades especiais. Este fluido deve ser considerado como sendo um elemento se-mimaterial, pois, está situado entre o Espírito e a matéria. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá. FLUIDO VITAL Allan Kardec na Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO DOS ESPÍRITOS) e em nota referindo-se as questões de 68 a 70 LE. O fluido vital é o mesmo que o fluido elétrico animalizado, designado, também, sob os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc. A quantidade de fluido vital não é fator absoluto para todos os seres orgânicos; varia segundo as espécies e, não é fator constante, seja no mesmo indivíduo, seja nos indivíduos da mesma espécie. Exis-tem alguns que são, por assim dizer, saturados, enquanto outros dispõem apenas de uma quantidade suficiente; daí, para alguns, a vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo superabundante. A quantidade de fluido vital se esgota; pode a vir a ser insuficiente para manter a vida, se não re-novado pela absorção e a assimilação das substância que o contém. O fluido vital se transmite de um indivíduo para o outro. Aquele que tem o bastante, pode dá-lo aquele que tem pouco e, em certos casos restabelecer a vida prestes a se apagar. PRINCÍPIO VITAL O LIVRO DOS ESPÍRITOS – questões de 60 à 67 O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos, comum a todos os seres vivos, desde as plantas até os homens. Esse princípio reside no fluído universal. Ele é um elemento distinto e independente. É dele que o Espírito extrai o envoltório semimaterial que constitui o seu perispírito e, é por meio desse fluido que atua sobre a matéria. Sua união com a matéria causa a animalização, ou seja, é o que dá vida a matéria e tem por fonte o fluido vital também chamado de fluido magnético ou fluido elétrico. O princípio vital é modificado segundo as espécies. É ele que dá movimento e atividade a matéria orgânica, distinguindo-a da matéria inerte, porquanto o movimento da matéria não é a vida. Esse movi-mento ela o recebe não o dá. Quando os seres orgânicos morrem sua matéria se decompõem indo formar outros organismos. O princípio vital retorna a massa de onde saiu. O Espiritismo é ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência, consiste nas relações que podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compre-ende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações. Podemos assim defini-lo: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, e de suas relações com o mundo corporal. Allan Kardec, no livro «O QUE É O ESPIRITISMO», (Preâmbulo). 14. – Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as conseqüências e busca as apli-cações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipó-teses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existên-cia ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio sub-seqüentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritis-mo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progres-sos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas. 55. – Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencial-mente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas idéias que formaram de Deus. O Espiritismo, pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha eviden-temente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sem-pre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria. Deixando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial. Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe de-monstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará. Allan Kardec, no livro «A GÊNESE», itens 14 e 55.

domingo 13 dezembro 2009 04:30 , em Edições Literarias Sobre a Umbanda


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